Não concordo quando estudiosos dizem que a profissão de Relações Públicas não é reconhecida como deveria ser, pelo simples fato de ter sua regulamentação decretada precocemente. O fato que originou a falta de entendimento do que realmente se faz um RP, nasceu na atuação dos profissionais durante a Ditadura Militar. Mesmo se a profissão não tivesse sido regulamentada na década de 60, a dúvida ainda existiria nos tempos atuais.
A Assessoria Especial de Relações Públicas - AERP, criada no Governo do General Costa e Silva, em 1968, conseguiu o seu auge três anos mais tarde, em 1970, já no Governo Médici. Com isso a profissão de Relações Públicas foi incluída ativamente no regime militar.
Dentre as demais funções desta Assessoria, como vangloriar os "feitos" do governo, a AERP era responsável por cuidar da imagem do presidente. A sociedade, que anciava pela liberdade, não via com bons olhos nada que tivesse ligação com o regime.
Como ressalta Kunsh (1997), "ela funcionou como uma verdadeira agência de propaganda política, para "vender" o regime autoritário de forma massiva, disfarçando a censura mais violenta que este país já teve".
Como todos nós sabemos, a censura nessa época de nossa história, foi a mais impetuosa de todos os tempos. Infelizmente o nome da profissão foi totalmente ligado a esse período negro. E mesmo a população não tendo conhecimento de todas as informações verídicas do governo, sabia quem estava "fazendo" a ditadura militar.
Com o fim do regime, em 1985, a comunicação empresarial, juntamente com as Relações Públicas, ganharam espaço e começaram a desenvolver de forma legal. Portanto a contribuição para o crescimento e a consolidação da profissão é feito por nós, profissionais que acreditamos no reconhecimento merecido para este que é um completo gestor da comunicação. Mas isso já é assunto para outro post...
Bibliografia
http://intermidia.wordpress.com/textos/seminario/relacoesnobrasil/
KUNSCH, Margarida Krohling. Relações Públicas e Modernidade: Novos Paradigmas em Comunicação. São Paulo: Summus, 1997.
Crédito de imagem: Salvatore Vuono
Nenhum comentário:
Postar um comentário