segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Relações Públicas: Uma prosa de história

Nunca é demais falar da história da profissão de Relações Públicas. Somente assim podemos refletir diariamente no que estamos fazendo para contribuir com a disseminação de RP. Estamos no caminho certo, ou apenas tratamos a nossa profissão com uma determinada conveniência? Vamos a um pouco de prosa.

A grande diferença das classes sociais existentes no mundo, e, principalmente nos Estados Unidos em meados de 1900, fez com que a classe menos favorecida procurasse subsídios para serem ouvidos. Foi assim que a profissão de Relações Públicas surgiu em um momento onde o mundo gritava por seus direitos e exigia respeito. Os poderosos dominavam a sociedade e assim mantinham o público refém de suas decisões.

Neste período, os Estados Unidos passavam por um período turbulento de combates. A sociedade, mais afetada com a situação, precisava assistir calada ao “modelo” de administração que os grandes barões da época utilizavam. William Henry Vanderbilt resumiu em uma frase a importância que a sociedade significava, quando disse em 1882, the public be danned (o público que se dane).

Os trabalhadores, cansados de não serem ouvidos em suas reivindicações, despertam a classe dos jornalistas de denúncia, que a partir daí começam a divulgar aos quatro cantos como a situação se encontrava.

Eis, que no meio destes jornalistas surge Ivy Lee, com a ideia de posicionar e prestar contas à população e à imprensa do que realmente acontecia nas empresas. Nasce aí a comunicação empresarial.

Sua assessoria fornecia notícias empresariais para serem divulgadas jornalisticamente e não como anúncios, ou como matéria paga. Eram informações corretas, de interesse e de importância para com o público, sobre as empresas, evitando assim denúncias (WEY, 1986, p.31).

A partir da iniciativa de Ivy Lee, várias empresas o procuraram para que pudesse ser feito o que muitos consideravam um milagre: posicionar a imagem negativa de algumas empresas perante a opinião pública. Muitos achavam que dessa forma, o que estaria sendo feito era nada menos do que uma publicidade da organização. Foi quando Ivy Lee discorreu uma carta de princípios direcionada a editores dos jornais americanos:

Este não é um serviço de imprensa secreto. Todo o nosso trabalho é feito às claras. Nós pretendemos fazer a divulgação de notícias. Isto não é um agenciamento de anúncios. Se acharem que o nosso assunto ficaria melhor na seção comercial, não o usem. Nosso assunto é exato. Maiores detalhes, sobre qualquer questão, serão dados prontamente e qualquer diretor de jornal interessado será auxiliado, com o maior prazer, na verificação direta de qualquer declaração do fato. Em resumo, nosso plano é divulgar, prontamente, para o bem das empresas e das instituições públicas com absoluta franqueza, à imprensa e ao público dos Estados Unidos, informações relativas e assuntos de valor e de interesse para o público (LEE apud WEY, 1986).

O surgimento das Relações Públicas beneficiou em larga escala os Estados Unidos, sendo que a mesma minimizou os resultados negativos obtidos com a guerra e com a crise econômica. Com isso a profissão se espalhou pelo mundo, chegando ao Brasil definitivamente, na década de 50.

Referência Bibliográfica

WEY, Hebe. O Processo de Relações Públicas. São Paulo: Summus, 1986.


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